FRASE DA SEMANA

"O orgulho pode nos levar a nos transformarmos em substitutos para Deus". James Houston

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Estação da Solidão



O Peregrino diz... “Dessa estação sempre passei longe, sempre a vi de forma muito má. Para mim ela sempre se apresentou como um fantasma que aterrorizava minha alma. O Pai viu essa minha aflição e moveu as circunstâncias para que eu não tivesse outra opção a não ser conhecer a solidão como de fato ela é e não como imaginava que fosse”.


No mundo agressivamente urbano em que vivemos não há lugar para a solidão. Quando se fala em solidão logo vem a mente alguém que esta precisando de ajuda. É bem verdade que ninguém nasceu para ser uma ilha, mas também é verdade, que ninguém vive acompanhado vinte e quatro horas por dia.
Você já tentou responder a pergunta: “Quem é você quando ninguém está olhando?”. Creio que as respostas seriam as mais variadas possíveis ou até, quem sabe, não haveria resposta, talvez você preferisse a distração mais próxima para não encontrar a resposta que com certeza o surpreenderia.
Alguém já disse que a solidão tem voz. O problema é como lidamos com isso. O pensador Paul Valéry dizia que “um homem sozinho está em má companhia”. Já para o filósofo francês Gabriel Marcel “a solidão é essencial à fraternidade”. Na solidão podemos nos humanizar ou desumanizar.
Quando não se entende o lugar e o valor da solidão, mesmo em meio à multidão nos sentimos sozinhos. A Bíblia revela que Israel não tirou bom proveito da solidão: “entregaram-se à cobiça no deserto; e tentaram a Deus na solidão”. (Sl. 106.14). Por outro lado revela: “Porque o Senhor tem piedade de Sião; terá piedade de todos os lugares assolados dela, e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim do Senhor; regozijo e alegria se acharão nela, ações de graças e som de música”. (Is. 51.3).
O que fazer para que a solidão não se torne doentia? Antonio Máspoli nos ensina a separar o joio do trigo quando diz: “Isolamento social é estar só, solidão é sentir-se só”. Creio que o Senhor Jesus quando se retirava do meio de todos ou até quando estava com a multidão, em momento algum se sentia só.
O fruto da solidão pode ser bom ou ruim, vai depender de como regamos os momentos em que estamos sozinhos. No monte da solidão podemos ouvir a voz de Deus com mais clareza, percebermos o valor do nosso semelhante por conta da sua ausência e também nos encarar para vermos quem de fato somos. Por outro lado, ela pode nos traumatizar de tal forma que nunca mais a queiramos ver, mas sem querer ser profeta de coisas ruins, não vai adiantar muito, pois ela sempre nos acompanhará, porque a solidão não esta fora de nós e sim dentro.
Por isso, ou você lida com a solidão ou ela lida com você. Ou você a convida para dançar ou então a música será ela mesma que vai entoar em seus ouvidos uma melodia constante. E não adianta mudar de estação, porque o seu som estará sempre lá no fundo, se confundindo com a música do momento.
Não tenha medo, vá para o monte da solidão, você nunca estará só, porque o Deus que prometeu estar conosco todos os dias até o final dos tempos estará lá te esperando de braços abertos e te dizendo: venha! Aqui vamos conversar com mais intimidade. Quando você descer, poderá experimentar a realidade que diz: Deus faz que o solitário habite em família. Sl. 68.6.

Valdemar Santana
Mais Um Peregrino

terça-feira, 1 de abril de 2008

Estação do Débito




O Peregrino diz... “Na minha peregrinação pela graça, sempre me senti um devedor, isso porque me ensinaram que eu deveria dedicar o resto dos meus dias ao Senhor pelo que Ele fez por mim. Todo mundo sempre dizia o mesmo. E de tanto ouvir isso, acreditei ser verdade. Isso sempre me causou muito sofrimento interior, mas entendia que fazia parte da caminhada. Até que me perguntei; Será que o descanso que Cristo prometeu só será experimentado na eternidade?”.

No mundo que vivemos quando o assunto é trabalho, logo pensamos em luta e recompensa, desde o princípio é assim. “No suor do rosto comerás o pão...” Baseados neste princípio queremos generalizar tudo o que vivemos e fazemos.
Quando se fala em servir a Deus, tenta-se levar o mesmo princípio para este nível de relação. Basta você perguntar a qualquer líder: “como vai a sua igreja ou ministério?” A Resposta sempre será a mesma, mesmo que com palavras diferentes, mas o conteúdo será igualsinho, “apesar de mim, vai bem!”. Deixa-se sempre um débito pessoal para que o êxito da conquista não seja “aparentemente” da pessoa que respondeu e sim de Deus. Para testar esta postura é o bastante uma crítica e toda “aparente” humildade caí por terra.
A questão é que temos muita dificuldade de acreditar que não devemos nada e isso por vários motivos, dentre eles. 1) O fato de que se não devemos nada, que motivo temos para servir? 2) também pensamos que não teríamos uma razão para lutar contra o mundo, a carne e o diabo. Essas são só algumas questões que povoam nossa mente quando se trata desse assunto. Tenho certeza que existem outras, mas se estas forem respondidas as demais perderão forças.
Quando o Senhor Jesus bradou na cruz do calvário está consumado – Tetélestai! Ele cumpriu toda lei de Deus em nosso lugar, nossa redenção foi terminada e instalou-se o descanso que não é fruto de uma religiosidade vazia e farisaica, mas de uma obra, uma única obra de amor, a obra redentora de Cristo “Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito... Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de obediência”. Hb. 4.3 e 11.
Contradição? Não, harmonia divina! Até ser dia perfeito na presença de Deus. Que motivação terei para servir que não seja o sentir-me devedor? Brennan Manning sugere:CONFIANÇA & GRATIDÃO! Experimente passar a servir por estes motivos e então sentirá que um elefante saiu de suas costas. Tente imaginar se um Pai preferiria ouvir do filho; Pai, tirei as melhores notas, agora me dê o vídeo game prometido! Ou seria melhor. Pai, tirei as melhores notas para agradecer por tudo que você fiz e faz por mim!
É assim que Deus quer que o sirvamos, pois se fôssemos tentar pagar o que devemos a Ele nunca conseguiríamos, mesmo que a reencarnação fosse uma verdade. Com as mãos vazias sempre estaremos prontos a oferecer e receber de Deus o melhor.

Valdemar Santana
Mais Um Peregrino

Estação da Alegria





O Peregrino diz... “Sempre pensei que a alegria estava no riso fácil, na piada de mau gosto, no humor negro, no esquecer o cotidiano através de orgias de momento, em me divertir irresponsavelmente ou até em alegrias legítimas que não faziam mal a ninguém. Até que me deparei com uma cruz em meu caminho e então me vi sem forças para resistir à verdade de que tinha que mudar meu conceito de alegria”.


Alegria; satisfação, contentamento, prazer moral, festa. Esta é a definição de um dos dicionários que estava perto de mim quando escrevi esta reflexão. As palavras parecem limitadas ou superficiais quando este é o assunto.
No contexto em que estamos inseridos, ser alegre é sempre ser o que se determina de nós. A alegria sempre está refém de momentos sob a ditadura da maioria, coitado dos que não estão dentro desta orla de alegria. Como disse Karl Max: “As idéias vigentes de cada período sempre foram idéias das classes dominantes”.
Um autor que tenho citado, Brennan Manning, vem nos ensinar algo precioso para entrarmos neste assunto. O livro é: O Impostor Que Vive em Mim. E a frase é a seguinte:
“O impostor deve ser convidado a sair de seu esconderijo e apresentado a Jesus, ou os sentimentos de desesperança, confusão, vergonha e fracasso se aproximarão furtivamente de nós, desde o amanhecer até o anoitecer”.
Segundo Brennan, dentro de cada um de nós habita um impostor que se alimenta de ilusões. E tenho certeza que uma dessas ilusões é aprisionar a verdadeira alegria a momentos alegres, mesmo que legítimos.
Com esta pequena dica, creio que conseguiremos vencer este minúsculo conceito de que ser alegre é estar sempre alegre, se não, como crer que a carta de Paulo aos filipenses teria como tema alegria, estando ele na prisão quando a escreveu?
Jesus Cristo, no famoso Sermão da Montanha, nos ensina vários caminhos para a verdadeira felicidade ou alegria. “Felizes... os pobres de si e cheios do Espírito de Deus... os verdadeiramente quebrantados... os mansos não no temperamento, mas na vida... os que têm fome e sede da justiça da graça... os que têm misericórdia nas mãos e não só nas palavras... os que têm um coração constantemente sendo limpo pelo Evangelho da Graça... Os pacificadores da paz do Reino de Deus que é maior que a da ONU, com todo respeito e admiração... Os perseguidos por causa do Evangelho e não por falsos evangelhos e testemunhos”.
Destes, creio e interpreto eu, sem ter nenhum desejo de ser comentarista, ainda bem! Mais por eles que por mim. Já é a alegria de pertencer ao Reino de Deus que se concretizará no dia da alegria plena e sem limites!
Então, o velho ditado, “alegria, alegria, faça como eu sorria”, se converterá em “alegria, alegria, não dependa só de sorrisos para existir, exista como no pacto do casamento, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na abundância e na escassez, pois só assim você será quem nasceu para ser”. VIVA A BOA NOVA DA ALEGRIA DO REINO DE DEUS!

Valdemar Santana
Mais Um Peregrino

Estação das Heresias


O Peregrino diz... “Estava mergulhando em busca de uma espiritualidade profunda e compartilhei o desejo com outros peregrinos. Um deles me disse: cuidado com as heresias! Confesso que percebi um certo zelo na fala, mas não me dei por satisfeito com o fato das heresias estarem apenas no âmbito da confissão religiosa e ortodoxa. Então me perguntei. Pode alguém não ser herege na confissão e o ser no que pratica?”.

Esta, talvez pareça uma reflexão muito superficial, com cara de revistinha de escola dominical, com todo respeito. Mas é que pelo franco crescimento das seitas e também das reflexões teológicas, temos notado um grande uso do termo heresia.
Vem então alguns questionamentos. Ser um cristão de valores firmes está limitado ao fato de termos uma confissão “ortodoxa” que se encaixe com o que o espírito da época cristã determina? Ou vai além de um sobe e desce do parque de diversões do mundo das idéias teológicas? Volto a dizer, com todo respeito.
Afinal de contas, muitos “hereges” do passado, hoje são heróis. Se fossemos citar, a lista seria grande e ainda assim injusta. Heresia, em alguns casos, tornou-se uma palavra para ser usada com relação àquilo que não concordamos. Quando encontramos alguém que destoa das nossas “convicções”, logo taxamos, herege! Mas a pergunta que não quer calar é: “Onde está a heresia ou o herege?”.
Eu poderia responder dizendo que está no liberalismo teológico. Mas o que dizer daqueles que em nome do cristianismo ortodoxo mataram e instigaram outros a fazer o mesmo? Melhor será dilatarmos o nosso conceito do que seja uma heresia, se é que temos o direito de conceituar.
Então vamos tentar. Herege passa a ser todo aquele que confessa O Evangelho da Graça de Cristo, mas que não luta por demonstrá-lo em sua existência diária sem que para isso tenha que fazer marketing próprio. Para isso convocamos a religião de Tiago, irmão de Jesus: A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo. Sabendo o que isto significa.
Afinal de contas, como diria Santo Agostinho, principal teólogo da patrística, em Cidade de Deus: “Não pode saciar a fome quem lambe pão pintado”. Ser confessional sem ser prático é oferecer pão de plástico pintado com cara de que saiu do forno, mas que não passa de brincadeira de criança.
Portanto, a resposta é: É possível não ser herege na confissão e o ser na vida. Basta ser o que Cristo revelou de alguns fariseus; sepulcros caiados. Resta-nos crer que heresia não é só uma confissão que sai da melodia como notas desentoadas, mas também atitudes que fazem o mesmo. Lembrando o que Augustus Nicodemos ensinou em A Bíblia e a sua família: “a mensagem sempre é maior que o mensageiro”, por isso devemos perseguí-la!

Valdemar Santana
Mais Um Peregrino

Estação do Coitadismo


O Peregrino diz... “Passei pela estação dos coitadinhos e me vi persuadido a se um, fui convencido que dessa forma estaria agradando a Deus e as pessoas, porque isto é que é ser humilde, me disseram. Por um tempo me senti bem, mas sempre que lia os textos bíblicos que me diziam o contrário, procurava me esquivar deles ou forçá-los a dizer o que meu coitadismo queria, por isso não agüentei mais”.

Eu nem precisaria perguntar se alguma vez na vida você já se sentiu assim, porque mesmo que tentemos esconder, em algum momento passamos ou passaremos por esta estação da existência humana.
A síndrome do coitadinho(a), se apresenta com várias faces e sempre de maneira muito persuasiva para conosco e também com os outros, somos tão atingidos por este sentimento que até contagiamos quem está por perto e o contrário também é verdadeiro.
Este sentimento tem invadido o meio cristão em geral e é vendido como humildade. A pessoa faz aquela cara de peixe com fome e fora d’água e acaba convencendo a si e a quem está por perto de que é a pessoa mais santa que o cristianismo já conheceu. Mas a sua consciência, se ela ainda a tem, e ao Espírito Santo, jamais poderá mentir.
Tenho visto que esta é uma caverna em que muita gente têm usado para se esconder do falso evangelho do triunfo que está sendo vendido no mercado da fé ou para esconder sua verdadeira sede de poder. E esse, definitivamente, não é o melhor caminho!
O melhor caminho é trabalhar para aplicar O Evangelho da Graça de Cristo a toda nossa existência, e então, saberemos que humildade não é ser o coitadinho(a) de Jesus e sim ser mais que vencedor em Cristo Jesus. Então, encontraremos nossa verdadeira identidade, a de nova criação de Deus em Cristo e conseqüentemente teremos a dimensão certa do que seja humildade, saber o seu lugar. Como diria a turma do logos, preferidos do meu amigo Darlan, um servo e na da mais!
Então, saiamos das nossas cavernas existenciais de coitadinhos e nos apresentemos como de fato somos, pessoas que ainda estão em construção, pois aquele que começou a boa obra há de aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus! Não para sermos coitadinhos no Novo Céu e Nova Terra, até porque lá não tem lugar para isso, mas para sermos semelhantes ao Filho de Deus. Para isso, peregrinemos!


Valdemar Santana
Mais Um Peregrino

Estação das Flores


O Peregrino diz... “Estava caminhando cansado quando vi várias flores, parei e fiquei admirando a beleza que morava em algo tão comum que sempre vi com os olhos, mas não via com a alma. Refleti sobre a possibilidade de eternizar aquele momento no momento em si, mas pude perceber que existe alguém maior que os momentos que sentimos desejo de eternizar e então passei a experimentar a certeza de que é possível viver numa eterna primavera”.

Em uma canção profética e polêmica durante a ditadura militar, Geraldo Vandré denunciou as nuvens escuras que a história do Brasil vivia naquele momento, o título da poesia musicada era “Pra não dizer que não falei das flores”. Geraldo mostrou a realidade de uma forma verdadeira, nua e crua, mas sem perder a beleza. Esse período da história com suas feridas e reflexões mudou e tem mudado a reflexão do nosso país. Em um desses anos, 1968, Zuenir Ventura chega a afirmar em título de livro que esse foi o ano que não terminou. E ele não está só nesta reflexão, pois é quase unânime a percepção dos desdobramentos deste contexto. Mas o que um período tão aparentemente infrutífero tem a ver com estação das flores? Se ficarmos presos ao momento em que tudo aconteceu só guardaremos magoas e ressentimentos ou como diria o próprio Zuenir: Beberemos a urina da história. Mas se olharmos para as flores que brotaram desse momento árido, aí sim, poderemos ver que antes da primavera sempre tem um inverno. A questão é que sempre queremos que venha a estação das flores, sem que venham as outras estações. Pensamos que se conseguirmos eternizar a estação que amamos estaremos seguros. Convido Santo Agostinho que nos ensina: “... nossa firmeza só é firmeza quando está em ti(Deus); mas quando depende de nós, então é debilidade”. Este é o único caminho para eternizamos a bela estação das flores. Davi em seu cântico de peregrinação nos diz: “Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes”. (Sl.126.6 NVI). O choro nunca é fruto de uma estação florida, mas precisamos sair ainda que esteja chovendo, porque lá na frente virá o sol trazendo as flores que foram regadas por chuvas e lágrimas. Ao pegarmos o bouquet, sentiremos o aroma com mais profundidade, pois a estação das flores tem mais valor para quem andou, ainda que na chuva, do que para quem ficou com medo pensando que ela não viria. Saiamos sem medo porque não há perfume melhor que o de Cristo!
Valdemar Santana
Mais Um Peregrino

Estação dos Credos e Confissões


O Peregrino diz... “Visitei a estação dos credos e confissões. Encontrei confissões de amor entre dois amores, confissões de fé das instituições religiosas, credos confissões, confissões das mágoas entre dois e entre muitos. Confesso que com tantas confissões fiquei quase sem ter o que confessar, mas aí...”.


A história das pessoas e das instituições é marcada por fatos que precisam ser mais que vividos e lembrados, precisam ser documentados. Temos vários tipos de documentos que validam ou não estas histórias. Documentos oficiais, particulares, religiosos etc. As confissões nem sempre são documentadas, imagine se todas as confissões de amor de casais fossem documentadas, quantos cartórios seriam necessários? Nas confissões e credos cristãos encontramos afirmações de suma importância para a fé. Elas tratam do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Da Igreja, do céu do inferno e tudo o mais. Há até quem faça uma análise-confissão das marcas da verdadeira igreja de Cristo na terra: Una, Santa, Católica, Apostólica. Outros afirmam que as marcas da verdadeira igreja são: A Fiel Pregação da Palavra de Deus e O Correto Uso dos Sacramentos. Perguntei a um teólogo amigo meu: Por que o amor não tem tanta evidência nos credos, confissões e marcas da igreja? Como bom teólogo ele respondeu: Meu amado, o amor esta nas entrelinhas desses documentos! Confesso que saí quase satisfeito, mas quase é pouco para explicar a nobreza do amor. A dúvida persistiu e o quase satisfeito não satisfez. Então resolvi mesmo diante de documentos importantíssimos como os credos, as confissões e até as marcas da igreja, propor um acréscimo a esses documentos, tendo em vista que eles não são inspirados a ponto de não poderem ser alterados ou melhorados e também sabendo que posso colocar minha cabeça a prêmio, mas quem ama não tem medo de perder o corpo queimado, quanto mais a cabeça. Cristo não coloca o amor nos apêndices de sua confissão. Ele resume toda lei em dois mandamentos. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Na Sua vida, ele faz questão de deixá-lo bem latente, visível e notório. Para Cristo o amor deve estar em primeiro lugar em qualquer confissão e modo de vida.Paulo diz que o cumprimento da lei é o amor (Rm.13.10 NVI). Santo Agostinho chega a afirmar, de forma escandalosa para os puristas, que quem ama pode fazer o que quiser. Como peregrino do evangelho da graça, confesso crer que estas últimas estações me deixaram mais satisfeito que as primeiras do amor das entrelinhas. E que este amor deveria vir antes de qualquer ponto em qualquer credo, confissão ou marca que a Igreja do Senhor Jesus possa ter, pois o amor jamais permitiria que a igreja cometesse os erros que todos nós estamos cansados de saber e às vezes até justificar, o que é total falta de amor. Portanto, amemos e que o resto venha depois, porque o amor é maior que a fé e a esperança. I Co. 13.13, e até maior que os credos e confissões.
Valdemar Santana.
Mais Um Peregrino!

Estação da Religião



O Peregrino diz... "Visitei a estação das religiões, nela senti uma certa segurança. Eu estava no rol de membros da instituição, tinha uma função "vocacional", também era respeitado por pensar com profundidade o que todo mundo pensava. Só não entendia porque estava sempre com sede, por mais envolvido que estivesse, sentia uma insatisfação muito grande em minha alma".



Você já parou para pensar se há alguma diferença entre Evangelho e Religião? Sabemos de cor e salteado que religião vem de religar, mas este termo está tão gasto que quando pensamos nele só pensamos em nos religar a uma institução e não a Deus. A religião e a religiosidade tem roubado das pessoas o que elas tem de mais precioso, A alma. É isso mesmo, a religião tem tirado a alma das pessoas.
Quando falamos em religião logo nos vem a mente regras e mais regras para se alcançar "graças divinas". É aquela velha história de trocar bênçâos por frequência ou qualquer expressão de fidelidade a religião, o que Caio Fábio chama de barganhar com Deus.
Brennan Maning nos sugere que a melhor forma de seguirmos a Cristo é por confiança e gratidão o que nos leva a seguir leve e sem peso, como Cristo disse: "um jugo suave e um fardo leve". Trocar o peso de andar com sede por uma cruz é muito melhor. Tirar das costas a dor de carregar pecados em troca de um discipulado radical é melhor que andar com a máscara da religião que enfeitça quem nos vê e nos deixa com o coração permanentemente amargurado e sedento.
Bem, e a diferença, onde está? Está no que Tim Keller propõe. "Religião são regras e Evangelho são notícias" e boas notícias, e a melhor é que não precisamos mais seguir regras para alcançar nada, tudo já foi feito, o que temos que fazer é confiar e agradecer. Confiar que Cristo fez tudo na cruz e na ressurreição e viver o resto dos nossos dias dando o nosso melhor não por regras e fardos religiosos, mas por gratidão a Ele. Só agora dá para entender o que quer dizer o salmo 37.3: "Confie no Senhor e faça o bem; assim você habitará na terra e desfrutará segurança".

ValdemarSantana.
Mais Um Peregrino.

Mais Um Peregrino


O Peregrino diz... “Eu sou um peregrino, e na minha caminhada encontrei muitos semelhantes, peregrinos com causas, ideologias, sonhos, bondades e maldades. Encontrei até quem peregrina sem saber pra onde vai, que vai só por ir. Por isso me senti obrigado a responder. Que tipo de peregrino sou eu?


Mais um peregrino? Quem sabe você não tenha perguntado isso ao entrar neste bloger. É isso mesmo. Mais Um Peregrino! Este não é um termo novo, ele tem sido usado ao longo da caminhada de várias pessoas que não conseguem viver presas a estações existenciais que as limitem a ser quem elas não nasceram para ser, peregrinas de uma única estação.
Abraão ouviu isso quando teve um sono profundo. “... a tua posteridade será peregrina em terra alheia...” Gn. 15.13. Davi em uma de suas orações no salmo 39.12 poetiza. “... sou forasteiro à tua presença, peregrino como todos os meus pais o foram”. O diácono Estevão defendendo-se das calúnias contra a sua peregrinação profetizou: “E falou Deus que a sua descendência seria peregrina em terra estrangeira...” At.7.6. Pedro, o apóstolo peregrino, que foi escolhido por Cristo como a pedra, não a principal, mas uma das que iriam edificar a sua Igreja, em uma de suas epístolas diz-nos: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois...”.
Depois dos personagens da história bíblica, não poderíamos deixar de citar clássicos como: O Peregrino de Jonh Bunyan, As Confissões de um Peregrino de Paulo Coelho, Os Doze Contos Peregrinos de Gabriel Garcia Marques, El Peregrino Secreto de Jonh Lê Carré e até a ponte que existe há mais de mil anos no caminho de Santiago que tem por nome Ponte dos Peregrinos. Muitos são os peregrinos, por isso, vocês encontrarão não mais um peregrino, e sim, vários e entre eles, eu, meu amigo Mendes e outros que virão.
Aqui você sempre encontrará a fala do Peregrino e em seguida uma reflexão sobre ela. O Peregrino representa homens e mulheres, servos e servas que lutam para encontrar a estação de descanso que sua alma anseia.
Vamos tentar abrir o coração e tirar dele o que o Senhor tem colocado, pretendemos falar um pouco das estações que passamos, estamos passando e passaremos. Caminharemos com um grande companheiro, Cristo, não o Cristo das religiões vazias, mas o Cristo dos que peregrina pela graça, essa é a minha resposta, sou Mais Um Peregrino da Graça e quero lhe convidar a peregrinarmos juntos. Venha! Vamos Peregrinar até a estação final que nos espera. Estação da graça eterna!!!

Valdemar Santana.
Mais Um Peregrino!

Estação do Amor-ego



O Peregrino diz... “Visitei a estação do amor que pensei ser o mais sincero (sem cera), mais leal, mais bonito e que trazia uma paz que acreditei ser a verdadeira. Então, ao passar pela rua e ver um semelhante meu deitado no chão, embriagado, sujo e provavelmente sem morada, nada senti. Passei e fui pros meus afazeres. Ao chegar em casa, refleti sobre Deus e sobre mim. Pude notar que havia algo errado neste amor que estava possuindo meu coração. Perguntei a Deus; que amor é esse que não me deixa sentir nada ao meu semelhante padecer?”.



Creio que todos nós já visitamos esta estação e não menos de uma vez. E existem até aqueles que já tornaram-na sua última estação. Esta é uma estação verdadeiramente sedutora porque nos fala de amor, só que este amor está entre amores que competem uns com os outros, pra ver qual deles é o maior.
Como denominar um amor que se deixa competir com outros, mesmo sabendo que é o mais sedutor dos amores que competem? Vou chamá-lo de amor-ego. Comprovadamente, ele é o maior dos amores que precisa provar que é amor. Ele traz a sensação de independência, pseudoliberdade e auto-estima “equilibrada”.
Este é o tipo de amor que cobra, exige exclusividade doentia e não compartilha nada de forma solidária, só dá quando se tem algo a receber, só corre atráz de recompensas. Nele, machucamos e somos machucados, esquecemos até do nosso próximo mais próximo.
Não sou lingüista, por isso quero pedir licença aos que são, para parafrasear a primeira regra de felicidade proposta por Cristo no Sermão da Montanha quando ele disse: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” Mt. 5.3.Eis a paráfrase que proponho: “Felizes os pobres de si mesmo, porque o reino de Deus lhes pertence”.
Esta é a regra básica para se entender o amor-ágape. Preciso morrer a cada dia e ressuscitar como novo ser para viver o amor que não compete com os anteriores, pois não precisa provar que é, ele apenas vem e entra em nossas vidas, ele é irresistível, nossa alma se rende ao seu poder benigno.
Quem algum dia foi visitado por este divino-amor, sabe o que estou querendo dizer.
Aqui e em lugar nenhum as palavras explicariam. Resta-nos, gentil e urgentemente aceitar o convite para navegar nestas águas tranqüilas do amor-ágape, amor de Deus! Nada nos será pedido em troca, apenas ouçamos a voz que diz: Vinde e vede!

Valdemar Santana.
Mais Um Peregrino.

Estação do Crédito



O Peregrino diz... "Visitei a estação do crédito, não a do crédito comercial, mas do existencial. Fiz grandes e pequenas obras, caridades, cultos fervorosos, lutei contra meus pensamentos maus e fiz tudo com a consciência de estar fazendo diante de Deus e dos homens. Por isso, senti-me credor, mas ao olhar pra cruz do meu salvador, percebi que algo estava errado na minha percepção. Então, senti um vazio em minh’alma – meu Deus! Que vazio é este?"



Você já visitou uma estação como esta? Eu já! Sempre que nos ocupamos muito com as “obras”, temos a sensação de estar com crédito diante de Deus e dos homens, e o pior, é que nos deixamos peregrinar assim, com a alma cheia de nós mesmos. O cinismo passa a ditar as palavras e gestos, mostramos piedade, memória boa para decorar versículos, habilidade nas coreografias do louvor congregacional. Até que alguém nos agride de alguma forma e aí toda nossa “espiritualidade” cai por terra.
Basta que falem da nossa fragilidade do momento, critiquem algo em nós ou em quem amamos e então, como disse Brennan Manning, acaba a espiritualidade de “bijuterias de pastéis de vento”.
É por isso, que mesmo que façamos obras de caridade, adoremos e louvemos com fervor, lutemos contra os nossos pensamentos maus e outras coisas mais. Sentimos um vazio muito grande, ele é fruto de estarmos olhando pra nós e para os outros ao fazermos o que é certo, porém com o olhar errado.
Paulo, o peregrino-apóstolo, nos fala um pouco da postura correta para trabalhar muito pra Deus e se sentir em paz e não credor. “Mas pela graça de Deus, sou o que sou, e a sua graça para comigo não foi inútil; antes, trabalhei mais do que todos eles; contudo, não eu, mas a graça de Deus comigo”. I Co. 14.10.
Esta é uma vacina contra os males do farisaísmo, ainda existente em nossos dias. Tenho visto muitas pessoas sofrendo e fazendo sofrer por causa deste mal. Já andei, tenho lutado pra não andar, vi e tenho visto gente sincera, porém equivocada, peregrinar na estação do crédito. Ela é uma estação aparentemente segura, mas que lá nos esperam o brilho sedutor do mundo, as garras felinas da carne e a magia maligna do pai da mentira.
Por isso todo peregrino(a) que se preze, que é morada do Espírito de Deus, jamais se satisfará com esta estação, se persistirmos em peregrinar assim, sempre seremos amigos do vazio da caminhada insatisfeita, ainda que com muitas obras.
Peregrinemos então em busca da estação da paz, da graça e do amor de Deus em Cristo a nossa estação mais segura. Sem esquecer de fazer o melhor!

Valdemar Santana.
Mais Um Peregrino.